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DOR
- Quando que você me disse isso!!? - perguntou Isadora indignada com a situação.
- Nas vezes que você fingia prestar atenção em mim… - respondeu Eduardo com uma irritante calma.
A situação já estava cansativa e Isadora sabia que Eduardo estava certo, ela deixara de dar atenção à ele há muito tempo. As coisas já não estavam caminhando como antes, havia outrora mais carinhos e elogios do que as cobranças e mentiras de hoje. Ela não estava mais atenciosa nas coisas que ela achava interessante nele; não havia mais o respeito. Não havia mais o que discutir a não ser como crescer e largar as infantilidades que permeavam o relacionamento, porém, ela não cedia e sempre se julgava certa e ele sempre deixando passar e abaixando a cabeça para as imaturidades dela. Não que ele estava totalmente certo, mas seu erro consistia em sempre omitir e esconder o erro dela, julgando sempre que ela estava crescendo e que iria crescer.
Mas o que ele podia fazer nesta situação? Foi escolha dela…
- Pois agora veja a situação, e você sabia que ia dar nisso, por que não me avisou? - Isadora indagou com certo gosto de arrependimento.
- Sabia sim. E como eu disse, eu avisei, foi você que não ouviu, não posso te obrigar a me ouvir e a me atender.
- Mas você poderia se esforçar mais, se gritasse comigo eu ouviria.
- Não iria gritar com você, sempre te falei bem perto, ao seu ouvido com toda calma e amor. Você decidiu isso. – Eduardo falou com toda sua calma.
- Mas se você me amasse de verdade me obrigaria, iria me parar de alguma forma. – Isadora já não tinha mais fôlego.
- Eu te amo como ninguém antes amou alguém, eu te amo tanto que respeitei sua liberdade, avisei, insisti e me irritei, mas não violei sua vontade. Não pude caminhar por você, apesar de ver para onde estava indo a sua decisão. Eu pensava que você iria aprender com seus erros, pena que essa foi uma única lição… que aprendeu tarde demais.
- Mas Eduardo, eu te amo muito, não quero que você vá assim. Quero que vá embora bem comigo e me amando. Se ainda estou perto de você e podendo falar com você é para te pedir perdão e dizer que estou arrependida por não te ouvir. – disse Isadora já com lágrimas nos olhos.
- Eu estou indo embora te amando sim, e satisfeito em saber que você aprendeu, mas saiba que antes de você me amar, o seu amor por você mesma também tem que ser grande o bastante para poder amar qualquer um.
- Mas eu não quero que você vá... eu prometo que eu vou te ouvir, prestar mais atenção e te atender, e vou te amar cada vez mais!!! – Isadora não se continha mais entre soluços e lágrimas.
- É inevitável amor. Não tenho mais como ficar, você sabe disso. Seja feliz em tudo o que você for fazer.
- Mas Eduardo, eu...
E ele se foi, partiu pra nunca mais voltar. E Isadora, finalmente aprendeu… a ouvir, prestar e a dar mais atenção… a crescer e a amar. Uma pena que foi uma aprendizagem que custou caro. Se ela tivesse ouvido a Eduardo desde o início, ele não precisaria ir lá, nem levar aquele tiro, nem morrer desse jeito nos braços dela, a defendendo de tudo e todos, mas afinal, essa era sua missão desde o início, defendê-la de qualquer coisa, até dela mesma. E ensiná-la. Ele conseguiu cumprir essa missão, mas precisou pagar um preço. Eduardo morreu feliz e em paz, com um sorriso de satisfação em seu rosto. Porém Isadora ficou, e esse era um preço que ela pagaria pelo resto da vida.
Escrito por Diego Carvalho às 12h19
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Hello people...!!! Depois de quase dois anos de recessão estamos de volta e em nova fase...
aproveitem..e passem também no www.emotionvalho.blogspot.com
Divirtam-se!!!
Escrito por Diego Carvalho às 16h38
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Discurso de um Cara que Ama...
Então pensei comigo...
Ela...
Tudo aqui parece com ela...
Tudo aqui tem aquele jeitão dela...
Por um momento a vejo assim suspensa no meu pensamento como se não tivesse um ponto de apoio nem de equilíbrio...
E a sua presença enche muita coisa em minha mente, e porque não dizer que
também a mim ela “preenche” com sua personalidade forte, marcante...
Dela...
Tudo aqui vem dela...
Tudo aqui tem o cheiro dela...
Tudo aqui tem o seu jeito gracioso e enérgico de andar pra lá e pra cá,
e ainda agora me vejo levantando disfarçadamente os olhos do texto que lia e leio...
Tudo aqui é ela...
ainda quando não está, e respira comigo o meu ar e divide comigo o espaço que seria só meu...
Lembro-me bem de um dia, que ela passou várias vezes pra lá e pra cá, e eu lia...
falava alguma coisa consigo mesma e cantarolava, e ainda ouço a sua voz como se fosse
uma melodia eterna a ressoar como um eco em meus ouvidos.
“Que foi?” ela me perguntou, pois tinha visto que eu a olhava incansavelmente.
Mas antes que eu desse uma resposta desapareceu novamente pela porta, e ouvi que arrumava as coisas no lugar ao lado.
Ainda bem que não precisei responder, pois era ela a quem eu lia, se é que me entendem...
Teria que responder isso mas não respondi, então falei meio baixo: “nada não”...
Eu não conseguia ver o que eu lia do texto em minhas mãos, porque a sua presença é maior que
a presença de todas as imagens evocadas pelo encanto das palavras daquele livro que eu lia.
Alguém disse que o homem que ama é fraco...
Também ouvi que a mulher que ama é forte...
Talvez tenha sido eu mesmo que num estado de loucura tenha descrito a mim mesmo,
para justificar que um coração que ama não consegue se concentrar bem nas palavras,
e elas passam a ter um outro sentido, e tomam rumos diferentes dos que a maioria dos homens fortes lhes dão...
E como é que um homem que ama pode escrever a não ser na descrição do amor?... Talvez tenha sido eu mesmo o louco que não pudesse admitir que uma mulher é muito valente sim quando acaricia com os dedos mágicos do seu coração, e ilumina o dia com o sol do seu amor...
Porque a mulher quando ama domina o ambiente que ama, e os carinhos de sua alma parecem proteger o objeto do seu amor, seja lá quem for, com a mágica proteção de quem recosta ao peito a criança que queda e adormece amamentando... O homem é essa criança …eu sou essa criança …
É diante dessa proteção que todo homem é fraco e eu me incluo nessa lista de fraqueza.
E é por precisar todos os dias desse colo que ele ainda que negue, suspira e anseia. São essas mesmas mãos
que dobraram de reis a camponeses, de presidentes a feirantes, de jovens a velhos por todos os tempos no desfilar dos séculos...
Mas no confirmar da loucura que sinto, não vejo fraqueza nenhuma nos homens que se aconchegam a esse lugar de repouso.
Vejo fraqueza sim, naqueles que tentando se mostrar fortes numa exibição desesperada de se auto-afirmar, e negam que por um instante se tornaram dóceis, como se esse ato em si fizesse deles um pouco menos homens que são. Se amá-la é ser fraco, se me doar e me sacrificar por este amor faz de mim um homem por assim dizer “menos homem”, eu mesmo me considero o mais fraco e débil dos homens da Terra… pois não tenho medo que o seu amor cuide de mim.
Tudo aqui vem dela...
Inclusive eu que a amo...
Tudo aqui é o amor...
Dele em nós…
E ela…
E dela…
Te amo Mari!
Escrito por Diego Carvalho às 16h32
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ATENCIÓN
Não precisa dizer que me ama, apenas me responda.
Fala qualquer coisa, diz pra parar, que não gosta e que não quer…
Não me deixa sem nada, sem esperança e sem motivos,
O que você ganharia com isso… Satisfação? Desembargo?
O seu expressar vale muito para mim, por favor, não o poupe.
Não precisa dividir igualmente, pode me dar uma pequena parte;
Pode ter certeza que vou fazer dessa parte o meu “tudo”,
Vou cuidar dessa parte bem mais que os outros e será grande pra mim
apesar de pequena.
Não precisa se “importar” comigo, nem “cuidar” de mim, apenas… me ame!
Escrito por Diego Carvalho às 17h34
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QUERES SERVIR-ME?
A modéstia residência do Sr. Keuner foi invadida por um gigante, que descalçou as botas, instalou-se no sofá da sala e interpelou o dono da casa:
- Queres servir-me?
Em silêncio, o Sr. Keuner foi para a cozinha e começou a preparar acepipes e guloseimas para o poderoso invasor: assados, frituras, doces cremosos, bolos variados. Essa ocupação se estendeu ao longo de semanas, meses, anos. Até que um dia o gigante, gordíssimo, teve uma embolia e morreu.
O Sr. Keuner limpou a casa, enrolou o cadáver num tapete velho, arrastou-o para fora, jogou-o no lixo e então respondeu:
-Não!
Essa historinha muito bem escrita pelo poeta alemão Bertolt Brecht é usada para explicar os conflitos que nos é imposto a cada dia. Ás vezes, os conflitos aparecem com tanta força que dão a impressão de que não nos deixam espaço para qualquer escolha. Se observarmos atentamente esses casos, verificaremos que o sujeito sempre pode fazer alguma coisa, seu poder de tomar iniciativas nunca é totalmente anulado. Os problemas nos são impostos, as opções são nossas.
O homem é um ser disputador, mas você se define pelas escolhas que vai fazendo ao longo de sua vida.
E então... Queres servir-me?
Escrito por Diego Carvalho às 14h47
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VARIAÇÕES E DESEJOS
-Querido, você pode me fazer um favor?
-Humm… eu não vou te que ir outra vez em alguma construção neh!?
-Já falei que aquele meu desejo por cimento foi excepcional, coisa da minha mente!
-Ah, coisa da sua mente?
-É…!
-Ok, o que é dessa vez então?
-Sabe o que é, eu sonhei com aquelas focas amestradas que ficam pedindo peixe batendo palma, e …
-Não vá me dizer que você quer comer uma foca!??
-Não! Claro que não…!
-Então…
-Quero um peixe cru inteiro!!!
-Hãã…???
-Ah… vai me dizer que isso é difícil de achar essa hora!??
-Meu amor, são 3:30h da manhã, não tem nada aberto a essa hora, você quer que eu faça o quê… pegar a vara e ir lá no rio pescar é? Rsrsrsrsrs!
-Hummm.....É!
-… é o que?
-Bem que você podia ir lá pescar pra mim hein...seria tão bom!
-Meu amor… são 3:35h da manhã! E ta frio!
-Isso é tão difícil assim pra você???
-Não é questão de ser difícil ou não, a questão é que você quer comer um peixe CRU…e Inteiro!
-Ah, meu bem… a gente num come sushi? Então, é a mesma coisa.
-Ufa… você quer um sushi então!?
-NÃO!!! Eu quero um peixe CRU e INTEIRO!!!
-Mas você num falou que é a mesma coisa!
-E desde quando você está concordando com tudo que eu falo hein!?
…!
-O que eu quero, e o sushi, são a mesma coisa sim, mas na essência, e eu não quero a essência, eu quero um peixe cru inteiro!
-Essência? Que essência? Do que você está falando???
-Eu já sei… você não me ama mais num é!??
-Que é isso querida, que idéia é essa… claro que eu te amo!
-Então porque você está aqui ainda?…quer um beijinho?
-Ok, Ok… só vou pegar a vara de pescar na garagem e já to indo. Aqui, e se eu só conseguir pegar o peixe de manhã, você ainda vai estar com o desejo?
-Se você voltar só pela manha, nosso filho vai nascer com cara de peixe!
-Ai a gente manda ele pro circo, rsrsrs! E desde quando você começou a acreditar nessas coisas?
-Desde quando a sua sementinha conseguiu entrar na minha hortinha, e desde então eu acredito e faço de tudo para que amenize essa doce e linda angústia de estar PRENHA!!!
-Ok, meu amor calma, pode fazer mal para o bebê…eu já estou indo pegar seu peixe!
-Por Favor…!!!
Continua.................
Escrito por Diego Carvalho às 16h53
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Continuação...
-Meu amor… ta aqui o seu peixe!
-Ah… obrigada amor, você é único! Lindoo! Meu Ulisses que volta de sua Odisséia, rsrs
-…
-Meu Deus, que gosto horrível! Como é que as focas gostam disso assim?
-Deve ser porque elas são FOCAS e você uma PESSOA!
-Mas no sonho parecia tão saboroso!
-Geralmente é isso que distingue as pessoas normais (eu) das lélés (você), nós vivemos na realidade!
-Ai...que grosso, para de falar assim comigo, o bebê pode ouvir.
-Ouvir? Querida, pode até ser, mas não agora. Você está no segundo mês e meio de gestação. Ele ainda não pode ouvir, é só um girino, hehehe !
-Palhaço! Tira esse prato daqui que o cheiro ta me dando enjôo.
-Ok, depois a madame me permite dormir?
-Claro meu amor, só na volta me traz um copo de suco.
-De quê?
-humm… deixa eu ver.
-Só tem de ma…
-Já sei!
-De que?
-Laranja chinesa com Cupuaçu!
-Aí tu me regaça!!!
Escrito por Diego Carvalho às 16h51
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Baseado em Fatos Reais
(Ai pessoal, acho que este é o ultimo post deste ano, e para mim é um dos que eu mais gostei, foi escrito no momento em que eu estava na "caverna" da roça e espero que também gostem! E creio que no ano que vem vou estar postando a estrutura do meu livro que será lançado em não sei quando... Por enquanto tem três capitulos que precisam de mais desenvoltura, os outros capítulos serão escritos a medida em que os acontecimentos vierem à existência. Abraços!)
Um dia um homem foi dividido e tão dividido que nada restou para subtrair.
Algumas palavras quando faladas... não podem voltar. Passeia nos próprios pensamentos e com pensamentos ele não pode ajudar pensando... o futuro está aí, mas ele está afundando no passado, pegou um relâmpago mas quando o dia passou ele o deixou ir...
Homem nada, não é algo?
Ela acreditou em toda a história que ele tinha para contar... mas um dia ela endureceu e levou para um outro lado... um olhar vazio, de cada canto de uma cela de prisão compartilhada. E apenas um escape à esquerda dele dentro do poço… e ele que nunca esquece está destinado a se lembrar…
Homem nada, não é algo?
Ela não o quer… ela não o alimentará depois dele ter caído fora… mas ela não esquece… ele volta por que ela o alimenta.
Ela não consegue encontrar um homem melhor… “ela sonha em cores, ela sonha em vermelho”. Ela espera um homem melhor, mas ele não virá… ela mente e diz que está apaixonada por ele…No sol, dentro do sol… Queime.
O Homem Nada, não poderia ter sido algo (?) (!)
Escrito por Diego Carvalho às 16h29
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O MELHOR DA AMIZADE (DUAS MENSAGENS)
- Acho que você não pode imaginar a tristeza que você tem me causado. Nunca pensei que um dia você fosse me tratar assim, e sem nenhuma explicação. O que eu fiz?
Só por que fui sincera com você reconhecendo que estava sendo falsa ao fingir que estava tudo bem???
Sei que você não gosta, mas tenho apenas mandado mensagens por que nem consigo falar, por que parece que você está nem um pouco interessado em conversar. Assim é uma forma de desabafar.
No mínimo você está me chamando de louca ou de chata, mas eu não ligo, nunca vou deixar de expressar o que sinto!
-1°: Explicação tem!
2°: Você precisa assumir uma parcela de culpa para poder ver melhor, ampliar sua visão!
3°: Não Pense que estou gostando dessa situação, eu te amo demais para estar gostando disso!
4°: Sabe onde me encontrar... já fui muitas vezes ao seu encontro para resolver nossos problemas (pode rotular isso como orgulho se quiser!).
5°: Estou com saudades (pode acreditar!) e continuo te amando da mesma forma (pode acreditar também!).
E a maior perda da vida é aquela que morre dentro de nós enquanto vivemos, por isso não quero te perder!
Escrito por Diego Carvalho às 14h50
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VALVULA DE ESCAPE
Escrito por Diego Carvalho às 14h42
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SUAVEMENTE
Olho ela dormindo, é um presente incomensurável. Reparo o seu respirar suave e tranqüilo… como ela me inspira! Lembro-me dos dias frios do doce inverno em que gostava de me aquecer em seu corpo. Ah! Lua, sol e estrelas paravam para apreciar nosso momento quieto, somente o palpitar dos nossos corações faziam algum ruído. É difícil explicar o valor de um simples toque em sua pele, não podia ser um toque qualquer, tinha que ser com a mesma delicadeza que uma vestidura de seda toca na pele da mulher: quase imperceptível, porem desejada.
Tiro o seu cabelo do rosto, uma visão perfeita para o momento perfeito. Vejo seus olhos cerrados, mas lembro-me deles abertos e brilhantes, mas na despedida um certo teor de “já com saudades!” Percebo o meu medo a cada instante em que penso na sua partida, eu sei que é só por alguns momentos ou dias, mas o fuso horário do meu amor é completamente diferente do tempo real… dói mais. E quando ela volta parece que está trazendo a minha vida junto com ela… hum… parece exagero!? Pode ser, mas você já amou assim antes? Você simplesmente amou alguém a ponto de se doar? É como se cada reencontro fosse o primeiro!
Mas tudo se resume em seu respirar enquanto dorme, é majestoso por que é simples, é admirável por que é tranqüilo, e é belo e interessante pois vem dela. Esse é o seu presente para mim, posso ir agora já querendo voltar. Ah… tenho mais um tempinho… agora (pra variar) vou ficar ouvindo as batidas do seu coração…!
Escrito por Diego Carvalho às 14h49
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O VINHO VELHO
Era uma vez um homem muito rico, que tinha justificado orgulho de sua adega e dos vinhos nela guardados. E lá se encontrava um barrilete de antiga vindima, reservado para uma ocasião que só ele sabia. O governador do Estado visitou o homem, e este observou-o e resolveu: “Aquele barrilete não será aberto para um simples governador”. E o bispo da diocese visitou-o, mas ele disse consigo: “Não, não abrirei o barrilete. Ele não apreciará seu valor, nem seu aroma lhe chegará as narinas”. O príncipe da região veio à sua casa e ceou com ele. Mas o homem pensou: “É um vinho muito real para um principelho”. E até o dia em que seu próprio sobrinho se casou, disse consigo: “Não, não para esses convidados será trazido aquele vinho”. E os anos se passaram, e ele morreu, velho, e foi enterrado, como qualquer semente ou bolota. E no dia em que foi enterrado, o velho barrilete foi trazido juntamente com outros barris de vinho e partilhado entre os aldeões da vizinhança. E ninguém soube de sua velha idade. Para eles, tudo o que é derramado em uma taça... é apenas vinho.
Escrito por Diego Carvalho às 15h55
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PÉTALAS VITE
Folhas levadas pelo vento em uma pintura lavada em preto levaram meus desejos e atam minhas mãos que acenam para uma multidão solitária. Nunca mais cantarei canções da noite, sentirei frio outra vez, ou melhor, ausência de calor. Não mais gritarei ao vazio, não gosto mais de ecos, você pode me ouvir mais de duas vezes? Quer que repita tudo outra vez? Era uma vez um homem que é feliz, mas que tem um céu vazio, pois sua única estrela não brilhará mais nele... Ela não precisava ir desse jeito, como uma rosa despetalada perdida nas asas do tempo... O quadro continua escuro, o que era verde tornou-se cinza, vejo crianças brincando na rua e sinto dor, os seus olhinhos azuis não se abrem mais (você deve estar voando ao lado de alguém). Como eu gostaria de chorar, mas estou sem tempo, preciso recolher pétalas de rosas... só as que estiverem soltas por aí.
Escrito por Diego Carvalho às 15h38
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A ESTÁTUA
(Esta foi inspirada em uma das minhas aulas de história antiga! O valor do conhecimento pode ser bem maior do que imaginamos, pode ser competência para agir sem necessidade de conhecer tudo, mas conhecer bem!) Vivia, uma vez, entre os montes, um homem que possuía uma estátua feita por um antigo mestre. Ficava à sua porta, virada para baixo, e ele não se preocupava com ela. Um dia, passou pela casa um homem da cidade, um homem de conhecimentos, e, vendo a estátua, perguntou ao dono se queria vendê-la. O dono riu-se, e disse: “E, por favor, quem quereria comprar essa pedra estúpida e suja?”. O homem da cidade disse: “Darei por ela esta moeda de prata”. E o outro homem ficou atônito e deliciado. A estátua foi removida para a cidade, nas costas de um elefante. E, depois de muitas luas, o homem dos montes visitou a cidade, quando caminhava pelas ruas, viu uma multidão diante de uma loja, e um homem gritando: “Entrem e contemple a mais bela, a mais maravilhosa estátua do mundo. Somente duas moedas de prata para ver a mais maravilhosa obra de um mestre!”. Aí o homem dos montes pagou duas moedas de prata e entrou na loja para ver a estátua, que ele próprio tinha vendido por uma moeda de prata.
Escrito por Diego Carvalho às 16h11
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A PÉROLA (OUTRO CONTO)
Disse uma ostra a uma ostra vizinha: “Sinto grande dor dentro de mim. É algo pesado e redondo, que me deixa deprimida”. A outra ostra respondeu com altiva jactância: “Bendito seja o céu e o mar, não sinto dor alguma. Estou boa e sã, por fora e por dentro”. Nesse momento, um caranguejo passava por lá e ouviu as duas ostras, e disse à ostra que estava boa e sã por fora e por dentro: “Sim, estás boa e sã; mas a dor que a sua amiga tem é uma pérola de excessiva beleza”.
Escrito por Diego Carvalho às 15h09
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